Aquela velha história. Namora há quatro anos aí o relacionamento acaba. "Quando vai ser a primeira festa?" "Quantos gatinhos vão ter lá?". Por fora a aparência mais agradável e linda possível e por dentro, migalhas de tudo que sobrou. Você se sente triste, desesperado, acabado. Mas da porta pra fora faz aquela cara digna de: "Nunca me senti melhor em toda a minha vida!".
Me diz, pra quê? As pessoas percebem sabia? É tudo tão visivel. A forma exagerada de aparecer a qualquer custo, o sorriso largo pra alguém mas os olhos na direção oposta o procurando em todos os rostos.
E eis que ele surge, com outra. "Aquela 'piiiiiii', como ele teve coragem de vir até aqui de mãos dadas com ela?!", sinto dizer, mas você acaba de se entregar. De nada adiantou toda a maquiagem e as roupas bonitas pra sensualizar o primeiro carinha bonito que você viu quando chegou, ele ainda não é aquele que você realmente queria, que mês passado era seu e fazia planos pro futuro te incluindo neles. Mas quem disse que você liga não é? O carinha bonito te chama pra dançar, vocês se beijam e você faz questão de passar na frente do seu ex exibindo o corpo malhado do 'atual' mas cá entre nós, dentro de você a vontade de soltar a mão do saradão pra voltar pros braços magrelos dele quase te corrói. Mas você não se deixe entregar -ou pelo menos acha isso- e ainda diz um oi, mais feliz e sorridente do mundo.
Bebe, sai, visita todos os lugares possiveis. Quando o vê fala mais alto que é pra ele perceber a sua presença no local e atua. Eu sei, nunca passou pela sua cabeça seguir uma carreira de atriz, mas você atua. Pra ele, pros seus amigos, pra todos presentes e o pior, pra sí mesma.
A festa acaba, você vai embora e relembra cada momento. Todas as vezes que ele passou perto de você, como ele agiu, o sorriso que ele deu quando ela pegou a bebida no balcão e entregou pra ele entrelaçando a sua mão com a dele em seguida. Aquela camiseta listrada, ele ganhou no natal, a avó que deu. "Eu estava presente naquele dia, no almoço de familia em pleno natal eu estava lá". Aquela calça que ele vestia te traz ótimas recordações, ele estava com ela no primeiro dia que se beijaram na chuva e isso te lembra que ele pegou uma gripe super forte e você saía todos os dias mais cedo de casa só pra ir ficar pelo menos quinze minutos do lado dele antes de ir pro trabalho, só pelo simples prazer da presença, só pra ele perceber o quanto era importante. E isso dói. Dói tanto que escorre pelos olhos. Ninguém te vê, ninguém te escuta, a não ser seu travesseiro. "Porque ele fez isso comigo? Eu nunca me doei tanto pra alguém, eu vivia por ele... Como tudo foi acabar assim?"
Você adormece e no outro dia a cara amassada e os olhos inchados entregam o quanto você chorou na noite passada. A sua sorte é que existe base, blush e um bom rímel. Tudo resolvido. Você abre a porta e junto com ela um sorriso. "Ninguém pode ver por de trás dessa máscara"
É aí que você se engana. É uma mascára visivel e sabe porque? Todo mundo passa por isso. Eles sabem como você se sente, já estiveram no seu lugar. Então seja você. Se sentir saudade, assuma. Esse é o melhor jeito de seguir em frente. Sem máscaras.

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